Residence em Cacuaco

Nosso “hotel”, fica em Cacuaco, município da província de Luanda. É uma zona de periferia, com casinhas pequenas, famílias de classe média baixa, muitos trabalhadores da Sonangol. Nos fins de semana o pessoal paga um dinheiro para se deleitar na piscina que vocês podem ver aí na foto. Acho que nos arredores é uma das únicas piscinas! Hoje quando acordei resolvi tirar uma foto para mostrar a piscina vazia, tranquila. O pessoal daqui ficou ouvindo música até as 2 da manhã. Meu quarto dá de frente para a piscina, e deveria ter tido dificuldade para dormir, mas aqui isso não acontece! Não sei porque, caio na cama e durmo como uma criança! Mas um dos meus colegas, italiano, que dorme no quarto ao lado acordou com duas olheiras imensas reclamando da bagunça!
Os angolanos do hotel tem um sistema de som meio improvisado, com amplificador, que ligam na televisão e em um disk-man para tocar CDs. A maior parte do tempo eles ouvem umas músicas esquisitas, meio RAP, em inglês. Acho que é africano, nunca tinha ouvido antes. Rola também um pouco de música angolana, que também não me agrada, ao menos a que eles tocam ali. Se eu conseguisse ligar meu iPod no amplificador podia jantar ouvindo música de verdade!
Ontem, por volta das 20:00, enquanto eu estava jantando, havia uma galera de umas 15 pessoas ouvindo a transmissão pela televisão de um programa de Miss. Isso mesmo, ouvindo, porque a TV era de 14 polegadas, não dava para todo mundo olhar para ela! 🙂 Acho que era Miss Portugal…
E ontem também vi o primeiro angolano branco no hotel, estava jantando com a namorada!
Para o delírio dos flamenguistas, ontem encontrei um coroinha, bem velhinho, com uma regata do flamengo! Eu vestia minha camisa do flusão, e fui perguntar pro cara se ele torcia para o flamengo… O velhinho levou um susto, não entendeu nada, e ainda me disse que a camisa era presente! Putz, tem flamenguista em cada buraco! Ô praga! 🙂 O esporte aqui é o basquete, Angola já ganhou várias copas da África de basquete… Mas até agora já vi várias peladas de futebol, e ninguém jogando basquete…
Abração pessoal!

Cabaz de natal

Aqui, como no Brasil, e em boa parte do mundo, funcinários e clientes ganham um presentinho de natal. As nossas cesta de natal qui se chamam “Cabaz”. Ainda não entendi se é só usado no natal, ou se qualquer presente é cabaz… Tenho que perguntar. Hoje aqui na empresa está uma confusão, pois temos dois carros disponíveis, com 2 motoristas para distribuir os cabaz em várias empresas de Luanda! Imagine que qualquer trajeto demora uma eternidade com o trãnsito horrível daqui, então precisa de uma logística toda especial para levar mais de 100 caixas e cestas a tanta gente diferente… As caixas estão estocadas e empilhadas no escritório, chegaram na sexta-feira aqui em Luanda, vindas de não sei onde. As coisas também estão agitadas pois é preciso pagar o salário e 13º de mais de 50 funcionários angolanos, que recebem tudo diretamente da mão do chefe, nada de depósito bancário! Como estamos dentro de um ambiente militar, não tememos assaltos e coisas assim, mas me pergunto como devem ficar as empresas que não tem este suporte…

Problemas de Conexão e Domingão no escritório

Este domingo passei no escritório, mas não trabalhando. Como durante toda a semana tive acesso a conexão com a Internet bem precária, e somente pela manhã funcionava com um mínimo de tempo para ler e-mails (lembre-se que ler não significa responder!), considerei fortemente a possibilidade de que o grande problema fosse superlotação do provedor de acesso. Como no domingo o tráfego aqui diminui, pois a maior parte das pessoas que usam a Internet só tem acesso do trabalho, decidi tentar. Cheguei por volta das 9:00 da manhã no escritório, me conectei sem problemas, e para meu espanto, tudo funcionou às mil maravilhas. Consegui enviar os e-mails que desde quarta-feira o outlook não conseguia mandar, configurei o blog para receber postagens por e-mail e liguei para o Brasil via Skype, com um sucesso impressionante. Funcionou a ligação SkypeOut (do PC para o fixo ; paga), funcionou o Skype in (do fixo no Brasil para o Skype aqui) e PC – PC. Aproveitei para tentar atualizar o anti-virus, da máquina, mas minha conexção não resistia ao tamanho do arquivo. Pouco antes da hora de almoçar, me disseram que estava passando Inter vs Barcelona, e eu corri para assistir. Cheguei no meio do segundo tempo, mas deu pra ver o gol colorado. Os gremistas que me perdoem, mas hoje fui mais Brasil e torci pelo Inter. Afinal, quando se está fora, é preciso se agarrar às nossas coisas. Fomos almoçar no Résidence, uma carne de porco com arroz e fritas. Na verdade não há muita escolha, em geral é prato único. Se não quisesse o porco ficava sem almoço. Então eu quis o porco! E não estava mal, pelo contrário. Hoje a tarde fazia sol, e um grupo de crianças nossas vizinhas veio usar a piscina. Nos fins de semanas o Résidence se transforma em um clube para a molecada. De dia chegam crianças, algumas acompanhadas dos pais. De tardinha chegam alguns adolescentes, que ficam na paquera, mas tudo muito família. Descobri hoje que cada um deles paga o equivalente a 500 Kwanzas para entrar e tomar banho na piscina, sem direito a consumação. Isso equivale a uns 20 reais, o que é um dinheirão para o pessoal daqui pobre. Ou seja, o pessoal da piscina no somingo não é tão pobrinho assim, apesar de morarem em ruas cheias de poeira no meio do nada! ☺ Voltei ao escritório agora, um pouco mais tarde, mas a conexão com a internet está uma porcaria. Se conseguir enviar este e;mailo para o blog, será um milagre… Quem sabe no próximo domingo!

Imagens de Angola

Seguem algumas imagens de Angola, para que voĉês possam ter uma idéia do que é a parte mais pobre de Luanda (Capital e Província).
Apesar de pobre, esse povo é muito trabalhador. As mulheres então, basta ver o peso que carregam na cabeça para perceber.

Comendo poeira

Minha experiência angolana ainda é pouca, mas de uma coisa tenho certeza, nem no sertão da Bahia, nem na obra em Duque do Castigo vi tanta terra e poeira (e quem conheceu um dos dois lugares pode atestar que não e mole não). Aonde quer que se vá ha núvens de pó se levantando, impossível não notar. O certo é que depois de uma semana eu já me acostumei a chegar em casa com uma camada de terra na cara.
A cidade de Luanda me pareceu tranquila, mas eu nunca vou ao centro, fico mais para a periferia da cidade. Para que gosta de Google Earth o escritório fica em um quartel militar nas seguintes coordenadas: 84°46Â’53.07Â’Â’ e 13°19Â’11.75Â’Â’.
Nosso “residence”, que não passa de um motel fuleiro, fica fora da cidade, na periferia também. A casa em si e agradável, mas é literalmente no meio do nada.
Sinto falta do café que tomava toda tarde na padaria. Aqui tem café bom no escritório, mas não é a mesma coisa.
Tenho tirado fotos, mas com a conexão discada daqui, melhor não tentar enviar. A Internet aqui esta ainda na idade da bolha (só quem viveu entende), apenasas casas ricas da cidade tem acesso a ADSL de 512Kbps, e ainda assim há bem pouco tempo. Parece que na Ilha de Luanda, um dos bairros mais chiques da cidade, há cybercafes com velocidade suficiente para mandar fotos, se eu pintar por lá envio algumas.
Aqui tudo é carissimo. É tudo cotado em dolar, e custa um absurdo! A maior parte dos bens de consumo (de qualidade confiável) são importados. Comprei uma lata de Ovomaltine no supermercado e paguei 1500 Kwanzas, algo como 19 dolares. Tudo bem que é o “Zona Sul” deles aqui, onde compram os expatriados e os angolanos ricos, mas no mercadão do povão nem se sonha com Ovomaltine. Minha sorte é que eu almoço no escritório e janto no residence (quando janto, senão tomo um maltine mesmo), com preços subsidiados pela empresa. Pelo menos isso!
Agora o que realmente me impressionou foi o trãnsito. Este povo é muito louco. Há engarrafamentos quilométricos, sem nenhuma lei. O povo entra na contra-mão, e onde há duas pistas, uma de ida outra de volta, se transforma em alguns momentos em pistas de quantos couber, com carros E caminhoes pelo acostamento, pelas calcadas, na contra mao, uma zona! Nunca vi algo assim antes! E depois dizem que os cariocas são barbeiros!
As vans aqui não são transporte alternativo, mas o verdadeiro meio de transporte. Pintadas de azuis, são chamadas de Kalangueiros, estão sempre superlotadas e fazendo bandalha. Aqui praticamente não tem onibus, então não há alternativa pro povão.
Vou tentar escrever com mais freqüência. Mas com a internet tão instável e de lascar…